terça-feira, 16 de julho de 2013

Do belo que te sinto



(...) Queria agora, com essas palavras, falar do belo que te sinto... 
Queria que, de alguma forma, essas palavras te tocassem o coração. 
Mas de tanto pensar, me perdi... 
Não encontro as palavras que descrevem o momento em que senti vontade de falar 
do belo que te sinto...
E essa vontade sufoca! Só para de sufocar, quando a matamos! (...) 
Quem diz que vontade é algo que dá e passa, há tempos já se sufocou... 
Então, por enquanto, vou continuar sufocando em silêncio, mas aguarda-me! 
Ainda procuro pelas palavras que, enfim falarão, do belo que te sinto.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Um dia


Um dia a gente cresce, no outro volta a ser criança 
Um dia a gente quer, no outro não 
Um dia a gente vai, no outro volta 
Um dia a gente acredita, no outro questiona 
Um dia a gente perde, no outro ganha
Um dia a gente sonha, no outro realiza 
Um dia a gente aprende, no outro erra 
Um dia a gente sorri, no outro chora 
Um dia a gente é, no outro a gente foi 



quinta-feira, 16 de maio de 2013

A saia e o vento




Menina colorida da saia rodada
Dançou o blues azul
Debaixo da lua prateada
Vento cinza bateu
Saia subiu
Sorriso amarelo ela deu

Fragmentos de uma despedida



( ... ) Não me peça para mudar, para ser menos exigente ou dramática ( Como prefere dizer na hora da raiva ). Não lamente mais o fato de não conseguir me convencer das verdades que você mesmo criou ao meu respeito, elas são SUAS, não são minhas. 

Não aponte os meus erros, procure você não mais errar. Não exija o meu pedido de desculpas, evite você de precisar dele - entenda de uma vez por todas que, para cada ação, sempre existirá uma reação. ( ... ) Não, eu não me acho melhor do que você, mas é fato que eu sou mais do que você precisa e, você é menos do que eu busco. Sim, eu sou mimada, sou mandona, sou arredia - sempre fui. Aliás, sei que você gostava muito disso em mim ( E sinto que ainda gosta, principalmente quando brigamos ) ... Assim como, também sei que, o que te assusta é perceber o quão longe nós fomos e o quão forte, juntos, nós somos ... Então, não vamos entrar nesse jogo de ' culpados ', isso não vai levar a nada. Os nossos erros e acertos são nossos. O que ganhamos e perdemos também. A mulher que sou hoje para você, é reflexo do homem que você é para mim, e enquanto você diz que prefere ficar, apenas, com as nossas melhores lembranças, eu te digo que, eu fico - também - com as nossas lembranças ruins. Pois, foram nesses momentos que, com você, eu aprendi a aflorar o melhor que há em mim - nem eu sabia sabia que podia tanto ... Obrigada.  

Meris ou Mariazinha ?!




- Aquela é a Mariazinha ?!
- Não. Aquela é a Meris.
- É ela sim ! É a Mariazinha ! Nossa, quanto tempo não a vejo ! Como está diferente. Velha ... Que semblante rígida ! Também, coitada, depois de tudo que sofreu ...
- Sofrida ?! A Meris é uma puta ! Aquela ali não tem coração. Já destruiu tantos casamentos. Não pode ver um homem, que parte para cima.
- A Mariazinha era tão bonita, tão meiga, parecia uma boneca de porcelana ! Todos os meninos da cidade queriam namorá-la. Mas ela só tinha olhos para o João. Tadinha ... Mal sabia ela quem era o João.
- Só tinha olhos para o João ?! Até parece ! A Meris dá para todos os Joãos, Pedros, Josés e etc que passam na frente dela.
- Mas o João só queria exibir o " troféu " que era ela ... Todo mundo sabia que ela estava prestes a se casar virgem, mas o João insistia para acontecer antes do casamento. E ela cedeu.
- Dar, distribuir, panfletar, o termo tanto faz ! Por que a Meris, ela dá para geral !
- E o João, depois que conseguiu o que queria, abandonou a Mariazinha, foi embora e nunca mais voltou. A cidade toda comentou. E a família, constrangida, manteve-a trancada por meses no quarto. Dizem que o pai, não dava a chave do quarto dela para ninguém. Um dia, eu soube que ela fugiu, e desde então, nunca mais a vi ...
- A Meris é figura fácil de ver. Ela não tem critérios para homens, e não é amiga de ninguém na vizinhança. Não confia em ninguém. Já fez vários abortos, vive maltratando os homens que a procuram, diz a eles que só servem para lhe dar dinheiro, e os otários sempre voltam.
- O que a vida fez com a Mariazinha ?!
- O que a Meris fez com a vida ?!


NOTA: Esse é mais um texto, minimamente modificado, que resgatei do meu antigo blog.


A azeitona que não comi




Éramos três: eu, Pedro e Eduardo. Vivíamos sem camisa pela rua. Um dia, suados, no fim da tarde, banhamos pelados no rio. O Eduardo admirava o meu corpo nu. Eu admirava o corpo nu do Pedro. Pedro só falava da sobrinha da mais nova viúva da cidade, a Dona Dicinha. A menina, até que era bonita. Tinha cabelos longos e negros e íris cor de azeitona. Azeitona também era a cor dos olhos do Pedro. Depois do banho de rio, fomos para casa de Dona Dicinha.

De tudo que nos foi oferecido por ela, azeitona era o que mais gostávamos de comer. Havia uma boa quantidade de azeitonas na cumbuca. Da divisão que fizemos igualmente entre nós três, sobrou uma azeitona. E, o Pedro a ofereceu para a sobrinha de Dona Dicinha. Ela mordeu a metade, sorriu, e descaradamente, devolveu para o Pedro. O Pedro, quase constrangido, retribuiu um sorriso nervoso, e comeu a outra metade. Eu me mordi. De ciúmes do Pedro, eu me mordi. O Eduardo se mordeu. De ciúmes de mim com ciúmes do Pedro, o Eduardo se mordeu. E o Pedro lá, trocando sorrisos descarados, enquanto tentava disfarçar que guardava no bolso, o caroço da azeitona mordido por ele, e pela sobrinha de Dona Dicinha.

Queria que fosse o Pedro igual a mim, não o Eduardo. Queria que fosse o Pedro a gostar de mim, não o Eduardo. Eu só teria coragem de assumir o meu amor e enfrentar todo mundo, se fosse pelo Pedro, não pelo Eduardo. De repente, Dona Dicinha gritou: Pedro, Eduardo e Antônio, venham comer mais azeitonas. E nós três entramos.

À noite



Luz apagada, calor do abraço
Luz acesa, frieza
Luz apagada