quarta-feira, 15 de maio de 2013

O abraço de um braço só




Belinha nasceu sem poder movimentar o braço esquerdo. Foi criada como uma criança normal. Sua família sempre a tratou sem diferenças e fizeram de tudo para que Belinha não sentisse necessidade do braço esquerdo. Procuraram uma escola de inclusão social, para que Belinha não sofresse nenhum tipo de preconceito.

Belinha vivia rodeada de amiguinhos, e todos eram sempre muito solícitos com ela. Até colocaram um apelido no braço esquerdo da Belinha, que passou a ser chamado de: Dorminhoco ! Desde então, a Belinha quando conhecia alguém, fazia duas apresentações: a dela e a do Dorminhoco !  

Belinha gostava de abraços ! Costumava abraçar as pessoas fortemente, com o seu braço direito. Um dia, na igreja, Belinha ouviu uma senhora, que não a conhecia, cochichando: “ que falta de educação ! Aquela menina abraça as pessoas com um braço só ” ! Belinha sentiu um misto de tristeza, vergonha e raiva, e foi lá se explicar: “ se eu abraço com um braço só, é culpa dele ó, do Dorminhoco ”. Sem aparentar nenhum tipo de constrangimento, a mulher mecanicamente se desculpou. Ali, naquele momento, pela primeira vez na vida ( Porém, não o último ) Belinha conheceu um gesto do qual nunca compreendeu, mas entendeu que existia. E, ainda ao lado da mulher, Belinha usou o seu braço direito para carregar o Dorminhoco até alcançar o braço esquerdo da mulher, o apoiou nela e disse: “ antes o meu abraço de um braço só, do que abraçar sem sentir com o coração ”.  

NOTA: Texto inspirado em Julynha, que não conheci pessoalmente, mas sei que é muito amável e amada. 

NOTA²: Gosto de perder tempo procurando por imagens para associar aos meus textos ... Mas nesse caso, não foi preciso. Amo as bonecas Blythe, e foi fácil escolher uma bem linda e única como imagem. 


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